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Acordo forma mão de obra para o petróleo Acordo forma mão de obra para o petróleo(0)

A Gazeta – ES

Pesquisa, desenvolvimento, educação e treinamento. Esse é o foco das ações que serão desenvolvidas pelo Centro de Negócios e Inovação Brasil-Noruega, lançado no domingo, 21, em Vitória. O centro, segundo o governador Paulo Hartung, vai contribuir para tornar o Espírito Santo fornecedor de mão de obra para o Brasil na área de petróleo e gás.

Participarão do centro as empresas que exploram os campos de petróleo e gás no Espírito Santo, as empresas fornecedoras para a indústria petrolífera, as instituições de ensino e as agências de fomento. A expectativa é de que as primeiras ações comecem a ser desenvolvidas no início do próximo ano.

A parceria com a Noruega, segundo o secretário estadual de Desenvolvimento, Márcio Félix, será focada na área de engenharia submarina. “Queremos colocar qualidade na mão de obra e melhorar a qualidade de vida. O centro será voltado para instituições e pessoas no Estado para possibilitar que os capixabas se tornem objeto de desejo para o mundo inteiro”, destacou.

O primeiro passo concreto para a criação do centro foi dado, na tarde de ontem, com a assinatura do memorando de entendimento entre o governo do Estado e o Centro Norueguês de Especialização Subsea (Norwegian Centre of Expertise Subsea – NCE Subsea). Assinaram o documento o governador Paulo Hartung e o gerente do NCE Subsea, Trond Olsen.

O NCE Subsea, que reúne mais de 80 empresas, é uma iniciativa da indústria submarina na área de Bergen para o reforço e internacionalização dos negócios. As articulações para concretização da parceria da Noruega com o Espírito Santo foram ainda no primeiro mandato de Hartung, quando ele visitou o país, e foram finalizadas, na última semana, quando uma delegação do Estado retornou à Noruega.

O Intangível verde e amarelo O Intangível verde e amarelo(0)

Por Vitor Paolozzi / Valor Econômico

Nem só por um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas devem passar os sonhos de Brasil-potência. Para que estes momentos intoxicantes em que o país sente o gosto de um certo protagonismo mundial não acabem depois da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, vai ser fundamental apostar algumas fichas também na sua economia criativa. E embora bossa nova, Carnaval e até biquínis fio dental sejam economia criativa, o Brasil terá que mostrar bem mais do que isso.

O conceito de economia criativa surgiu em meados da década passada, mas ainda desperta algum debate. Na visão do inglês John Howkins, um dos responsáveis pela popularização do termo, com o lançamento do livro The Creative Economy em 2001, o elemento definidor da economia criativa é o potencial de gerar direitos de propriedade intelectual – o que englobaria direitos autorais, desenhos industriais, marcas registradas e patentes.

Para o Reino Unido, um dos países que mais dão atenção ao tema e investem em políticas públicas para o setor, a economia criativa lida com aquelas indústrias que se baseiam em criatividade, aptidão e talento individuais com o potencial de criar riqueza e empregos pelo desenvolvimento de propriedade intelectual.

Essas indústrias seriam as seguintes: propaganda, arquitetura, artes plásticas, mercado de antiguidades, artesanato, design, moda, filme e vídeo, software de entretenimento (videogames), música, teatro e dança, livros, jornais e revistas, software e televisão e rádio. Já a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) acrescenta turismo e conceitos como inclusão social, diversidade cultural e desenvolvimento humano. Quem prefere simplificar diz que a economia criativa gira em torno de uma coisa só: a ideia – ou, para usar uma das palavras preferidas quando se discute o assunto, o intangível.

De acordo com o Banco Central, de janeiro a julho os investimentos de empresas brasileiras em aquisições no exterior atingiram US$ 14,6 bilhões, dez vezes mais do que no mesmo período do ano passado. Há ainda a atuação de multinacionais gigantes como Petrobras e Vale e as gestões diplomáticas de Brasília nas crises haitiana, hondurenha, iraniana e no conflito árabe-israelense.

O país está cada vez mais colocando os pés para fora de suas fronteiras e gradualmente vai adquirindo mais estatura para exercer soft power – a capacidade de conseguir o que você quer por intermédio da atração e não de coerção ou pagamentos. Origina-se do apelo exercido pela cultura, pelos ideais políticos e políticas de um país, na definição do cientista político de Harvard Joseph Nye. E é aqui que entra a economia criativa. Ela vai ser um elemento-chave para a construção de uma nova imagem do Brasil.

Em 2002, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) encomendou à agência McCann Erickson uma pesquisa em dez países para descobrir como as pessoas, especialmente importadores e empresários, enxergavam o Brasil. As respostas foram resumidas em cinco S: sol, sensualidade, som (música), sand (praia) e soccer (futebol). Hoje, já começa a se notar uma mudança na percepção.

A imagem do Brasil está deixando de ser a de um país exótico e selvagem e começando a aparecer numa esfera mais profissional, moderna. Há empresas gigantes brasileiras que estão contribuindo muito para isso. O Itaú, por exemplo, é um dos maiores bancos do mundo, o mais sólido da América Latina, afirma Alejandro Pinedo, diretor-geral da Interbrand Brasil, filial local da multinacional especializada em gestão de marcas.

Segundo Pinedo, o executivo financeiro brasileiro está assumindo lugares importantes em empresas de porte fora do país. Por ter sobrevivido a tantas adversidades, é um executivo bastante respeitado, com a imagem de que sabe navegar em mar revolto.

Tão pouco associada ao bamboleio que faz gingar quanto o sistema financeiro é a área de tecnologia da informação (TI) e software. O Brasil é um dos países mais avançados no uso de TI. Eleição eletrônica é uma inovação brasileira. O sistema de pagamento bancário brasileiro é simplesmente o melhor. Você vai ao Oiapoque e pode descontar um cheque em Chuí na hora. Não existe nada disso no mundo, garante Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Nesse segmento, o Brasil já tem multinacionais atuantes, como Stefanini, Totvs e Bematech, e igualmente conta com pequenas empresas imaginativas que se lançam à exportação. Fundada em 2005, a P3D teve um ovo de Colombo: pegou uma tecnologia bastante difundida, a computação gráfica, e a levou para um ambiente em que ninguém antes havia pensado em colocá-la, a sala de aula. A empresa produz softwares que permitem aos professores, por meio de projeções em um telão, manipularem modelos tridimensionais de corpos (esqueletos, sistemas nervoso e circulatório etc.), vírus, bactérias e plantas.

Hoje, a P3D tem um faturamento em torno de US$ 3 milhões, dos quais um terço se origina de vendas para mais de 20 países. Em pouco tempo vou estar exportando muito mais do que eu comercializo no Brasil. Estamos crescendo de 50% a 100% ao ano no exterior, conta Mervyn Lowe, presidente da P3D, que foi a primeira empresa da América do Sul a receber o prêmio Worlddidac, um dos mais importantes do setor educacional para produtos pedagógicos.

A computação gráfica em 3D também foi o caminho que levou a Vetor Zero ao exterior. Pioneira na produção de efeitos especiais para TV e cinema no Brasil, atuando desde o início da década de 1990, a empresa coleciona diversos prêmios internacionais, entre os quais se destacam Leões em Cannes e nos festivais de animação Animago e de Annecy. Em 1999, a Vetor Zero ganhou uma irmã, a Lobo, um estúdio de design e animação, também já premiado com Clios e Leões em Cannes. Sérgio Salles, sócio-fundador da Vetor Zero/Lobo, conta que antes da crise internacional a atuação das duas empresas se centrava principalmente nos Estados Unidos, México e Europa: Chegamos a ter 60% do faturamento fora do Brasil.

De acordo com Salles, um dos fatores que contribuem para os negócios é que os profissionais brasileiros têm uma imagem muito boa nessa área da criatividade ligada à tecnologia, tanto que um problema sério que a gente tem é ‘brain drain’ [fuga de cérebros]. Ele calcula que há dezenas, talvez mais de uma centena, de brasileiros trabalhando no exterior com produção de 3D e animação. Outra vantagem que temos é a bagagem cultural. O brasileiro é visto como alguém que traz algo do seu país, sem o choque cultural que existe em trabalhar com chineses e indianos, que são mais distantes, afirma Salles.

No vasto campo do design, o Brasil tem se destacado em muitas frentes, que incluem até a exportação de equipamentos odontológicos e médico-hospitalares. Joice Joppert Leal, diretora-executiva da Associação Objeto Brasil, destaca as áreas de joias, mobiliário, iluminação, vestuário, calçado e design de interiores. Os estrangeiros prestam muita atenção na alegria, nas cores, no lúdico dos nossos produtos. Nesse lado solto, na generosidade com as curvas, diz Joice.

O design diferenciado é apontado por Christian Hallot, embaixador da H. Stern, como um dos pilares do sucesso da empresa. Acreditamos que a alma brasileira que seduz o mundo está, sim, implícita nas nossas joias, na falta de amarras com ideias preconcebidas. Muitas joalherias não fazem isso, ficam presas à tradição. A participação do mercado externo chega a 30% das vendas da H. Stern (são 85 lojas próprias no Brasil e 65 em outros 14 países). Também tivemos o privilégio de ver nossas joias sendo usadas em festas como o Oscar. Muitas mulheres se inspiram nas celebridades e isso contribui para tornar nossa marca desejada. Nunca pagamos nada a essas celebridades.

Neste ano, o Brasil foi o segundo país mais contemplado no Idea Awards, a mais importante premiação de design no mundo, com quatro medalhas de ouro (os EUA ficaram no primeiro lugar, com 28) – os vencedores foram o Guaraná Jesus, o Museu do Futebol, um projeto de renovação de fachadas no bairro paulistano da Bela Vista e um cesto criado pela Bertussi Designdustrial. Os brasileiros também vêm obtendo bons resultados no festival publicitário de Cannes, que em 2008 criou categorias específicas para design. Em três anos, já foram conquistados 13 Leões.

Essas premiações, segundo Joice, da Objeto Brasil, só foram possíveis porque está sendo feito um trabalho de divulgação. Tanto no Idea Awards como em Cannes, a Apex-Brasil realizou ações para viabilizar a participação de empresas brasileiras.

A agência estatal também é responsável por parte do êxito no aumento das vendas de arte contemporânea brasileira para estrangeiros. Uma parceria formada com a Fundação Bienal de São Paulo levou nos últimos quatro anos a arte brasileira a mais de 20 países, com resultados expressivos. As galerias participantes do projeto exportaram US$ 914 mil em 2007. No ano seguinte, as vendas somaram US$ 1,7 milhão e em 2009 saltaram para US$ 7,7 milhões. Neste ano, até junho o programa rendeu US$ 4,2 milhões.

O diretor da Fundação Bienal, Pedro Barbosa, ressalta que houve uma mudança no foco dos compradores. Mais do que no ano passado e no retrasado, existe uma demanda muito grande por artistas novos brasileiros, gente na faixa de 28 a 35 anos. Ele diz que o artista brasileiro está atingindo um patamar de preço mais internacional e isso vai se refletir na qualidade: Você está vendo pela primeira vez os artistas podendo viver de arte. Não tem mais que dar aula de manhã e produzir à noite. Isso faz com que a produção vá para um nível de criatividade maior. Para Barbosa, uma das coisas que torna a arte brasileira atraente é a sua exuberância. O que eu escuto muito de fora é que a arte de lá está muito triste e a arte brasileira, muito alegre.

Assim como no caso da arte contemporânea, alegria e cores explicam o avanço da moda brasileira. Graças à São Paulo Fashion Week (SPFW), a capital paulista apareceu em 2009 como a oitava cidade mais importante no mundo da moda, saltando 25 posições em um ranking elaborado pelo Global Language Monitor, que avalia o burburinho de temas políticos e culturais rastreando a frequência de palavras e frases na internet e na mídia.

Apesar de neste ano ter caído para o 13º lugar, a cidade mantém um elevado status. O São Paulo Fashion Week é um ‘case’ de economia criativa no mundo. A gente participa de vários painéis internacionais para apresentar a nossa história, diz Graça Cabral, diretora do evento, que na edição teve a presença de cerca de 60 jornalistas estrangeiros e 150 representantes de redes de varejo da Europa, dos Estados Unidos, Oriente Médio, Índia e América Latina.

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) ilustra o novo nível de qualidade da moda brasileira: Em 2003, com um câmbio médio da ordem de R$ 3,08, exportamos vestuário a um preço médio de US$ 14,00 o quilo. Em 2009, exportamos na faixa de US$ 39,00 o quilo.

Mas economia criativa do Brasil ainda tem uma enorme distância a percorrer, como deixa bem claro o Relatório sobre Economia Criativa 2008 da Unctad. Nesse levantamento, o Brasil não oferece grandes motivos para orgulho e, dos inúmeros rankings apresentados, figura em um único Top 10 de maiores exportadores de bens criativos – aparece em quinto lugar na subcategoria design gráfico. Numa comparação com os outros países do Bric, o quadro não anima muito: a China é o maior exportador de bens criativos do mundo, com US$ 61,4 bilhões; a Índia fica com US$ 8,1 bilhões, o Brasil com US$ 2,2 bilhões e a Rússia com US$ 1,6 bilhão (também dados de 2005).

Diante da pergunta sobre os motivos que impedem melhor desempenho, todos os entrevistados recheiam suas respostas com três palavras: câmbio e custo Brasil. Tem uma coisa que se chama mercado e você não tem o monopólio da criatividade. Quando você tem que pagar os juros mais altos do mundo, os impostos mais altos dos emergentes, quando tem deficiências de infraestrutura, enfim, tudo isso afeta o custo de produção brasileiro, afirma Pimentel, da Abit. Gil, da Brasscom, reclama também que falta financiamento: O Brasil não é um país onde a inovação floresça. Inovação implica investimento, implica que a cada dez coisas que você faz nove dão errado. As empresas não têm musculatura para aguentar esses fracassos.

Salles, da Vetor Zero/Lobo, pede mais políticas de apoio. Veja o Canadá: eles têm uma política ultra-agressiva de atrair essa indústria criativa. Todas as grandes empresas de produção de games e animação, como a Pixar, estão lá. Existem incentivos fiscais e descontos incrivelmente interessantes.

Alessandra d’Aloia, sócia-diretora da galeria Fortes Vilaça, aponta as leis burocráticas como obstáculo. Ela dá como exemplo o caso de uma galeria que pretende deixar a obra de um artista no exterior durante algum tempo como forma de divulgação. O prazo estabelecido no Brasil para que uma obra permaneça fora é de quatro meses, prorrogáveis por mais quatro, o que é muito pouco. Se você deixa a obra além dos oito meses e não consegue vendê-la, tem que pagar uma taxa de importação de 50% para trazê-la de volta.

A economista Lídia Goldenstein, especialista em economia criativa, acredita que o setor não tem a atenção devida do governo: Temos todas as condições de fazer com que através da economia criativa os outros setores da economia passem por um processo de inovação. Só que isso não ocorre por geração espontânea. Em todos os países onde a economia criativa vem despontando há políticas públicas muito agressivas. O que está faltando no Brasil é a percepção de que esse setor é o grande fator estratégico de crescimento.

A própria ausência de números sobre o tamanho da indústria criativa do Brasil é uma indicação de que há muito a ser feito. O MDIC somente agora está finalizando a implantação do Siscoserv, que, segundo Maurício Duval, diretor do departamento de Políticas de Comércio e Serviços do ministério, vai dar uma condição de mapeamento de todos os serviços e todos os intangíveis que são comercializados no exterior. No que se refere a políticas, porém, Duval admite que não há nada específico: Nós trabalhamos aqui principalmente com políticas transversais. Elas atingem de uma forma horizontal todos os setores e serviços.

Já para o economista Antonio Buainain, estudioso dos direitos de autor, ainda é um pouco cedo para sonhos de grandeza. O fato de termos uma música boa não faz com que a indústria relacionada à área seja forte. Há dificuldades associadas à própria debilidade da indústria criativa brasileira. Você até pode exportar commodities sem uma base doméstica sólida, mas não produtos e serviços que estejam associados à inovação, à criação. É preciso ter política pública para desenvolver o mercado doméstico. Você vai ao interior de São Paulo, ao Nordeste, e não encontra cinema, teatro, biblioteca, afirma.

Apenas 5% do total de formandos no Brasil são engenheiros Apenas 5% do total de formandos no Brasil são engenheiros(0)

Publicado em 10 de Novembro de 2010

Na sessão de abertura do evento Brazil Automation ISA 2010 – Congresso e Feira, que acontece até quinta-feira , no Expo Center Norte, em São Paulo, o principal painel teve por tema “Desafios na formação de profissionais de Engenharia no Brasil”. Dr. Mario Sergio Salerno, prof. titular da Escola Politécnica de São Paulo, Doutor em Engenharia de Produção pela POLI e Coordenador do LGI, Laboratório de Gestão da Inovação da POLI – USP, principal palestrante, citou alguns números do último censo escolar completo, datado de 2008. “Constata-se que há uma evasão enorme no ensino de engenharia no Brasil. Foram cerca de 460 mil matrículas no início do ano , contra apenas 48 mil novos formandos a ingressarem no mercado de trabalho no fim de 2008. E mais, dentre todos os formandos em nível superior, apenas 5% são engenheiros”, diz Salerno.

Comparativamente a outros países, a posição do Brasil não é confortável. Na Espanha, 14% dos formandos são engenheiros, em Portugal 20%, na China e Coréia de 25 a 30%. Já a relação entre número de engenheiros formandos por número de habitantes, no Brasil, é de 2 por 10 mil. Nos EUA, é de 4,6 , na Espanha de 6,5, na China 13,4 e Coréia 16,4.

O presidente da ISA Distrito 4, José Otávio Mattiazzo, também presente ao painel, destacou dados recentes da CNI – Confederação Nacional da Indústria, relativos ao tema . ” Estes dados indicam que o Brasil forma apenas metade dos engenheiros que o país necessita, anualmente. Além disso, ainda temos de nos defrontar com a disparidade entre a formação destes profissionais e as necessidades da indústria”, reforça Mattiazzo. Segundo ainda dados da CNI, o déficit de engenheiros em 2010, no país, é da ordem de 150 mil.

Nelson Ninin, presidente da ISA – International Society of Automation, principal organização mundial do setor de automação que reúne cerca de 30 mil membros em mais de 50 países, e primeiro brasileiro a presidir a oraganização, destacou que “este déficit não é um problema só do Brasil, mas do mundo todo. E que a qualificação profissional é um dos temas centrais da ISA. “O Brasil dá mostras reais de que já saiu da crise O mundo todo nos olha com especial atenção. O tamanho do evento é uma demostração do bom momento em que vivemos. São 13 mil m2 de área, 120 empresas participantes e um público estimado em 14 mil pessoas”.

Para Salerno, uma questão preocupante é que 62% dos engenheiros saem de faculdades privadas. E como o curso de engenharia é um curso caro, que envolve a necessidade de uma boa estrutura, laboratórios, investimentos, as faculdades públicas normalmente estão mais aptas a manter estes cursos. “Por outro lado, o MEC está absolutamente ciente da carência de profissionais de engenharia. Neste sentido, está havendo uma expansão significativa da universidade pública e uma parte importante é dedicada às ciências exatas”, diz o pesquisador.

Na formação de doutores no Brasil, a área de engenharia responde por 11% do total de 11 mil doutores, também dados do censo de 2008. “A produção científica brasileira tem evoluído de forma expressiva, porém nas cinco áreas de maior produção, não aparece a engenharia”, ressalta Salerno.

Para Marcus Coester, VP de Membros e Imagem da ISA, a crise na área de engenharia é comum a outros países. ” Nos EUA, há também este problema. Por vocação, as pessoas se dirigem a outras áreas. Já na China, a situação é inversa. São formados mais de 400 mil engenheiros por ano. Mais do que todo o ocidente.”

Salerno concluiu a sua apresentação do painel de abertura do evento ponderando que, apesar do Brasil formar poucos engenheiros percentualmente em relação à sua população, comparativamente a outros países, mesmo assim este número não é pequeno por que a população do país é grande. ” E mesmo com a carência que o mercado tem destes profissionais, os salários não estão aumentando. Este é um dos fatores que afasta os alunos. Além do curso ser difícil, ter grande carga horária”, diz

Para o pesquisador, os principais desafios na formação de profissionais de engenharia no Brasil passam pela necessidade de se pensar uma nova didática para esta geração plugada. A utilização de educação à distância, mídia móvel. E uma maior integração com a sociedade. “A integração com as empresas também é muito difícil. Na POLI, por exemplo, na área de estágios planejados, há uma única empresa integrada”.

“Diria que o problema a curto prazo não é exatamente de quantidade, mas de qualidade. As empresas pagam mal o engenheiro iniciante e este por sua vez está mais propenso a formar a sua própria empresa”.

Além do tema da formação de mão-de-obra de profissionais de engenharia, o ISA também apresentou o seu programa de Certificação de Profissionais de Automação- CAP, através do eng. Ian Verhapen, da ISA Canadá, que tem por finalidade qualificar os profissionais da área garantindo que os mesmos estejam capacitados quanto às necessidades e exigências tecnológicas da nova realidade global.

Sobre a ISA

A ISA Distrito 4 – www.isadistrito4.org.br – é coligada à “ISA – International Society of Automation”, principal organização mundial do setor de Automação Industrial, que reúne cerca de 30 mil membros em mais de 50 países. É o terceiro maior Distrito dentre os 14 que constituem a sociedade e suas atividades abrangem os países da América do Sul e Trinidad . O principal objetivo da ISA é desenvolver e estimular iniciativas relacionadas à Automação, Sistemas e Instrumentação, além de maximizar o valor dos profissionais da área, contribuindo para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de suas carreirras. A ISA oferece como principais serviços o Treinamento, a Capacitação Técnica e a Certificação dos Profissionais do segmento de Automação Industrial. Suas Normas, Padrões, Livros, Artigos e Recomendações são reconhecidos mundialmente e adotados pelas principais entidades normalizadoras e indústrias.

Brasil sobe quatro posições no novo IDH Brasil sobe quatro posições no novo IDH(0)

Nova York, 04/11/2010

do PNUD

O Brasil subiu quatro posições de 2009 para 2010 e ficou em 73º no ranking de 169 nações e territórios da nova versão do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que passou por uma das maiores reformulações desde que foi criado, há 20 anos. O índice brasileiro, de 0,699, situa o país entre os de alto desenvolvimento humano, é maior que a média mundial (0,624) e parecido com o do conjunto dos países da América Latina e Caribe (0,704), de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano. O documento, intitulado A verdadeira riqueza das nações: caminhos para o desenvolvimento humano, foi divulgado nesta quinta-feira em Nova York.

Em razão da mudança de metodologia, não se pode comparar o novo IDH com os índices divulgados em relatórios anteriores. Mas seguindo a nova metodologia, em comparação com os dados recalculados para 2009, o IDH do Brasil mostra uma evolução de quatro posições.

A lista é encabeçada pela Noruega (0,938), seguida de Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda. A última posição é ocupada por Zimbábue (0,140), superado por República Democrática do Congo, Níger, Burundi e Moçambique. O Brasil está logo acima de Geórgia (74º), Venezuela (75º), Armênia (76º) e Equador (77º), e abaixo de Ilhas Maurício (72º), Macedônia (71º), Irã (70º), Ucrânia (69º) e Bósnia-Herzegóvina (68º).

O índice manteve suas características principais — varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano) e engloba três aspectos essenciais do desenvolvimento humano: conhecimento (medido por indicadores de educação), saúde (medida pela longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Assim, conserva a premissa que norteou sua criação em 1990: o progresso deve ser mensurado não apenas pelo crescimento econômico, mas também por conquistas em saúde e educação.

Para o 20º aniversário da publicação, foram introduzidas mudanças nos indicadores de renda e educação e no cálculo final (leia mais abaixo o texto “As mudanças na metodologia do IDH”). A reformulação resultou em aprimoramento, mas implicou uma redução no número de países e territórios abrangidos: 15 (incluindo Cuba, Omã e Líbano) saíram da lista por não disporem de informações verificáveis para pelo menos um dos quatro indicadores usados no índice.

Dos três subíndices que compõem o IDH, apenas o de longevidade não passou por alterações: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer. No subíndice de renda, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que contabiliza a renda conquistada pelos residentes de um país, incluindo fluxos internacionais, como remessas vindas do exterior e ajuda internacional, e excluindo a renda gerada no país, mas repatriada ao exterior. Ou seja, a RNB traz um retrato mais preciso do bem-estar econômico das pessoas de um país. No subíndice de educação, houve mudanças nos dois indicadores. Sai a taxa de analfabetismo, entra a média de anos de estudo da população adulta; para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez da taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos.

Evolução recente

Esta não é a primeira vez que o IDH passa por mudanças — a disponibilidade de novos dados e as sugestões de alguns críticos fizeram com que o índice se adaptasse ao longo das últimas duas décadas. Porém, a fim de possibilitar que sejam verificadas tendências no desenvolvimento humano, a equipe responsável pelo relatório usou a nova metodologia não só para calcular o IDH de 2010, mas também o de 2009 e de outros seis anos de referência: 1980, 1985, 1990, 1995, 2000 e 2005. Para o Brasil, há dados completos desde 2000.

Desde aquele ano, o IDH brasileiro teve um ganho de 7,6% (73ª maior variação numa lista de 137 países). O progresso foi mais rápido que o latino-americano (6,6%) e mais lento que o global (9,3%). De 2005 para cá, a alta foi de 3,1% (92º mais veloz em uma lista de 169 países e territórios). De 2009 para 2010, o aumento foi de 0,8%, o 53º mais elevado entre 169 países. Com isso, o Brasil subiu quatro posições desde o ano passado, a maior alta mundial — apenas França, Irã, Indonésia, Iêmen e Nepal chegaram perto disso (avançaram duas posições).

Na última década, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou 2,7 anos, a média de escolaridade cresceu 1,7 ano e os anos de escolaridade esperada recuaram em 0,8 ano. A renda nacional bruta teve alta de 27% no período.

Em comparação com países que estavam em nível semelhante de desenvolvimento em 2000 — os quatro logo acima e os quatro logo abaixo no ranking do IDH —, o Brasil saiu-se como um dos melhores. Se há dez anos era o quinto nesse grupo de nove nações, agora é o terceiro. O grande salto, porém, foi da Ucrânia, que registrava índice semelhante ao brasileiro em 2000, e em 2010 é o país com maior IDH desse conjunto.

As alterações foram pequenas para os países da América Latina ao longo da última década. Chile, Argentina e Uruguai mantêm-se no topo do IDH desse grupo, seguido de México e Peru. Bolívia e Paraguai ainda registram os índices mais baixos. Nas posições intermediárias, estiveram Colômbia, que acelerou menos entre 2000 e 2010, Equador, Venezuela e Brasil. O indicador brasileiro era o sexto no início do período, chegou a ser superado pelo venezuelano em 2009, mas neste ano voltou à sexta colocação.

As mudanças na metodologia do IDH

Os pilares do IDH não foram alterados: o índice varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior) e engloba três dimensões fundamentais do desenvolvimento humano: conhecimento (mensurado por indicadores de educação), saúde (medida pela longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Mas houve modificação em alguns indicadores e no cálculo final do índice.

Subíndice de longevidade

Não mudou: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer.

Subíndice de educação

É o único que engloba dois indicadores, e ambos foram alterados. Sai a taxa de alfabetização, entra a média de anos de estudo da população adulta (25 anos ou mais). Para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez de taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos (expectativa de vida escolar, ou tempo que uma criança ficará matriculada, se os padrões atuais se mantiverem ao longo de sua vida escolar). Essas alterações foram feitas porque alguns países, sobretudo os do topo do IDH, haviam atingido níveis elevados de matrícula bruta e alfabetização — assim, esses indicadores vinham perdendo a capacidade de diferenciar o desempenho dessas nações. Na avaliação do Relatório de Desenvolvimento Humano, as novas variáveis captam melhor o conceito de educação e permitem distinguir com mais precisão a situação dos países. No entanto, assim como os indicadores anteriores, não consideram a qualidade da educação. No método antigo, a taxa de analfabetismo tinha peso 2 nesse subíndice, e a taxa de matrícula, peso 1. Agora, os dois novos indicadores têm peso semelhante.

Subíndice de renda

O PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que abrange os mesmos fatores que o PIB, mas também leva em conta recursos enviados ou recebidos do exterior — é uma maneira de captar melhor as remessas vindas de imigrantes, excluir da conta o envio de lucro para o exterior das empresas e computar a verba de ajuda humanitária recebida pelo país, por exemplo. Assim como na versão anterior usava-se o logaritmo natural do PIB per capita, agora usa-se o logaritmo natural da renda. Também foi mantido o modo como os valores são expressos: em dólar corrigido pela paridade do poder de compra (PPC), que leva em conta a variação do custo de vida entre os países.

Normalização dos subíndices

Para poder comparar indicadores diferentes (a renda é expressa em dólares, a expectativa em anos, por exemplo), cada subíndice é transformado numa escala de 0 a 1. Por isso, estabelece-se um valor máximo e mínimo para cada indicador. Até o relatório do ano passado, os níveis máximos eram fixados pelo próprio RDH; neste, foram usados os valores máximos verificados na série de dados (desde 1980). Com isso elimina-se a arbitrariedade na escolha desses níveis máximos e mínimos.

Atualização dos dados

Até o ano passado, o IDH sempre trabalhava com indicadores de dois anos anteriores à publicação do relatório. O RDH 2009, portanto, trazia um IDH que refletia a situação de 2007. No RDH 2010, são usados alguns valores e projeções do próprio ano de 2010. Há dados disponíveis para este ano referentes à expectativa de vida e à média de anos de estudo. Para a renda nacional bruta, foram feitas estimativas aplicando-se os dados mais recentes do Banco Mundial às projeções de crescimento feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). No número de anos esperados de escolaridade, foi utilizado o dado mais recente disponível.

Cálculo

Até a edição de 2009, o IDH era calculado como a média simples dos três subíndices (somava-se os três e dividia-se o resultado por três). A partir deste relatório, recorre-se à média geométrica: multiplicam-se os três subíndices e calcula-se a raiz cúbica do resultado (um número que, multiplicado três vezes por ele mesmo, é igual ao resultado da multiplicação). Antes, um desempenho baixo em uma dimensão poderia ser diretamente compensado por um desempenho melhor em outra. Com o novo cálculo, essa compensação perde força — um valor ruim em um dos subíndices tem impacto maior em todo o índice. Além disso, a metodologia permite que 1% de queda na expectativa de vida, por exemplo, tenha o mesmo impacto que 1% de queda na renda ou na educação.

Nível de desenvolvimento humano

O Relatório de Desenvolvimento Humano deixa de classificar o nível de desenvolvimento de acordo com valores fixos e passa a utilizar uma classificação relativa. A lista de países é dividida em quatro partes semelhantes. Os 25% com maior IDH são os de desenvolvimento humano muito alto, o quartil seguinte representa os de alto desenvolvimento, o terceiro grupo é o de médio e os 25% piores, os de baixo desenvolvimento humano.

Brasil ficará com 63% do investimento da Vale em 2011 Brasil ficará com 63% do investimento da Vale em 2011(0)

Portos e Navios

A mineradora Vale vai investir no próximo ano US$ 24 bilhões, um volume recorde na história do setor, segundo o presidente da companhia, Roger Agnelli. Os desembolsos serão custeados pela geração de caixa da empresa. As operações no Brasil ficarão com US$ 15,318 bilhões dos recursos, montante que representa 63,8% do total aprovado. Haverá aporte de US$ 1,959 bilhão no Canadá, onde a companhia tem importantes ativos de níquel e projeto de fertilizantes, além de investimentos em vários outros países.

Para Agnelli, o cenário para os próximos 12 meses é muito positivo e a empresa continuará operando com plena capacidade, na esteira do forte consumo chinês e da continuidade da recuperação na produção industrial no mundo.

O executivo disse que o risco para a Vale hoje é a questão cambial, não só no Brasil como também nos outros países produtores de commodities. “O câmbio faz o custo dos projetos subir, porque a mão de obra e boa parte os equipamentos são locais.”

Segundo a Vale, o minério de ferro ficará com maior parte dos investimentos previstos para 2011, ou 35,5% do total. A estratégia do grupo é produzir 311 milhões de toneladas desse insumo no ano que vem. A produção deve alcançar 522 milhões de toneladas em 2015.

Em fertilizantes – a mais recente investida da Vale dentro da estratégia de diversificação do portfólio de produtos -, serão investidos US$ 2,5 bilhões, o que corresponde a 10,4% de tudo que será desembolsado no próximo ano.

A empresa quer mais que dobrar em cinco anos a produção de todos minerais e metais, com um crescimento médio anual de 16,3% entre 2011 e 2015. No período de 2003 a 2008, o índice de produção da mineradora avançou a uma taxa média anual de 9,8%.

Para tanto, a mineradora vai destinar 81,3% dos investimentos de 2011 para sua expansão orgânica – o que envolve aportes na execução de projetos (US$ 17,535 bilhões) e pesquisa e desenvolvimento (US$ 1,986 bilhão).

O orçamento já foi aprovado pelo conselho de administração e corresponde a uma alta de 125,1% sobre os US$ 10,662 bilhões dos 12 meses terminados em 30 de setembro, sem incluir US$ 7,156 bilhões referentes a aquisições.

O executivo destacou que a Vale investiu, nos últimos quatro anos, em ativos que ainda não começaram a gerar receita. “A empresa que estamos construindo é quase do tamanho da que opera hoje.”

Segundo a companhia, 18 grandes projetos – somando US$ 26 bilhões em investimentos – entrarão em operação entre 2010 e 2012. “A entrada em operação desses projetos aumenta a capacidade de financiamento da expansão das atividades da companhia sem a necessidade de alavancar o balanço”, diz a empresa.

Em entrevista ontem sobre os resultados, o presidente da Vale disse que vê uma tendência de maior estabilidade nos preços do minério de ferro para o começo de 2011, após as oscilações observadas ao longo deste ano.

“Não posso dizer se a flutuação vai ser positiva ou negativa, mas diria que deve haver uma estabilidade maior de preços”, comentou o executivo, acrescentando que o valor do insumo deverá oscilar perto da cotação atual praticada no mercado spot (à vista) na China, que está ao redor de US$ 148 por tonelada.

Agnelli disse que a China está conseguindo mitigar os efeitos de uma recessão na Europa e de uma lenta recuperação nos Estados Unidos. Para o executivo, não há risco de grandes mudanças na expansão chinesa. “Não só eu tenho que rezar para a China, mas todo mundo tem que rezar para a China continuar crescendo”, afirmou.

O presidente da Vale evitou, mais uma vez, tecer comentários sobre as especulações acerca de sua saída do comando da mineradora. “Dispenso qualquer tipo de comentário nesse sentido”, disse, após afirmar que a companhia já emitiu um posicionamento claro sobre o tema – referiu-se à nota, divulgada na terça-feira, em que a mineradora nega, por orientação de acionistas controladores, planos de substituir Agnelli.

Ele comentou que a mineradora é “extraordinariamente importante” para o desenvolvimento do país e que qualquer governo vai querer trabalhar de forma “muito próxima” à companhia.

Brasil precisa de mais engenheiros Brasil precisa de mais engenheiros(0)

Para 2014, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) definiu como meta formar 100 mil engenheiros, o que significa mais do que dobrar o número de formandos de 2008. Afinal, técnicos ou tecnólogos não entram nessa conta e o Censo da Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) indica que, no ano de referência, formaram-se nas diversas especialidades da engenharia 47.098 profissionais.

Parte da responsabilidade pela meta está nas mãos da comissão formada pela Capes com o objetivo de propor ações indutoras e estimular o desenvolvimento da pesquisa, da pós-graduação, da produção científica e da inovação tecnológica nesta área do conhecimento. Para Sandoval Carneiro Júnior, presidente da comissão e diretor de relações internacionais da Capes, a taxa de formação de engenheiros no Brasil é inferior à de outras nações. “Dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que menos forma engenheiros. A Rússia forma 190 mil por ano, a Índia 220 mil e a China 650 mil”, diz ele com base em dados de documento elaborado pela comissão e entregue ao ministro da Educação, Fernando Haddad.

Para a indústria, a escassez de engenheiros é um fato preocupante desde 2008. “Mesmo com a recessão em 2009, setores como a construção tiveram demanda além do esperado. Não só não houve desemprego de engenheiros como os salários, em média, aumentaram 20%”, afirma Marcos Maciel Formiga, representante da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e membro da comissão da Capes. Para ele, se a taxa de crescimento econômico continuar acima de 5%, haverá necessidade de duplicar o número de engenheiros formados anualmente.

Segundo Carneiro Júnior, um dos riscos imediatos da falta de mão de obra qualificada é o de encarecimento do setor produtivo. Ele acredita que as empresas passarão a buscar profissionais estrangeiros, a custos elevados e com a exigência de adaptação do conhecimento técnico à realidade local. Além disso, intensifica-se a dependência brasileira de inovação tecnológica. “O Brasil entra numa fase de crescimento e precisamos sair do modelo econômico baseado na exportação de materiais primários e commodities, cujo valor agregado é pequeno”, alerta Carneiro Júnior. De acordo com ele, para mudar esse quadro, é necessário contar com profissionais capazes de desenvolver inovação tecnológica.

No entanto, para Divonzir Arthur Gusso, pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), não há motivo para voltar os olhos apenas para a engenharia. “Se a economia começar a crescer muito, pode faltar mão de obra de modo geral”, acredita. Ele, que é um dos autores do artigo “Escassez de engenheiros: realmente um risco?”, publicado na edição nº 6 da publicação Radar, do IPEA, afirma não ser o caso de investir na criação de novos cursos, mas de corrigir os rumos da formação.

Combate à evasão

Carneiro Júnior é contundente ao afirmar que o principal desvio é a evasão universitária, tendo sido o que motivou a Capes a criar a comissão. Segundo dados por ele apresentados, a evasão, mesmo em IES (instituições de Ensino Superior) públicas chega a 60% e atinge 75% em entidades particulares. “Vagas temos de sobra. Em 2007, 450 mil alunos se inscreveram para 198 mil vagas de engenharia, mas dessas, apenas 115 mil foram preenchidas. Sobraram 80 mil ociosas”, diz.

A mesma opinião tem o professor Alexandre Pacheco, coordenador da comissão de graduação da escola de engenharia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) onde, afirma, apenas no curso de Engenharia Civil, todos os anos são oferecidas 175 vagas, com ingresso de cerca de 150 alunos. Segundo ele, apenas em torno de 80 chegam a se formar. “O pessoal tem muita dificuldade nos primeiros dois anos, quando a evasão é pronunciada”, declara Pacheco. Um dos motivos para a evasão seria o perfil estritamente acadêmico do ciclo básico a maior responsabilidade. “Depois que entra na parte profissionalizante, o pessoal costuma engrenar, faz estágios e iniciação científica”, acrescenta ele.

Vestibular
Vagas Oferecidas Ingressos Concluintes
2005 148.080 89.030 36.918
2008 239.134 140.878 47.098

Fonte: Censo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)

A suposta responsabilidade pelas falhas que levam à evasão divide-se entre o Ensino Médio e as faculdades. O primeiro respondia pelas deficiências na área de exatas. Tanto que na UFRGS foi criado um programa para detectar alunos com dificuldades nas áreas de física e matemática. Eles são encaminhados para curso preparatório de recuperação. “Modificamos os critérios de recusa de matrícula devido à má performance, o que culminava com a saída do aluno do curso”, revela o coordenador.

A própria CNI, por meio do programa Inova Engenharia, atua junto ao Ensino Médio para estimular estudantes a optarem pela engenharia. “Apenas um aluno dentre 700 optará pela engenharia. Não temos como conviver com essa realidade. Então essa mobilização vai tentar sensibilizar a sociedade para a importância desse profissional”, conta Formiga, superintendente da CNI.

Já às universidades caberia a responsabilidade por modernizar currículos e torná-los mais atraentes aos alunos a partir do estímulo à aplicação prática dos conceitos nos primeiros anos sem comprometer a base científica. Essa é a opinião de Carneiro Júnior, para quem a questão é amenizar a aridez da teoria por meio da iniciação cientifica, com engajamento em projetos práticos de laboratório. Dentro da sala de aula, ainda na opinião dele, a metodologia precisa ser modernizada com mudança do foco do professor para o problema. “Em vez de apenas estudar teoria, desafiar os alunos a propor soluções”, exemplifica ele.

A fim de complementar a estratégia de atração e retenção de alunos nos cursos de engenharia, Formiga acredita ser necessário pensar na questão financeira, tanto com relação às mensalidades quanto sob o aspecto dos salários. “Os cursos são difíceis e as faculdades particulares caras. Os alunos vão para as áreas de humanas e sociais, que também abrem chance de prestar concurso”, analisa ele. Um dos caminhos sugeridos por Carneiro Júnior para atenuar o problema seria desenvolver um programa de ajuda de custo, não reembolsável, para IES comunitárias com bom desempenho no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). “Durante muito tempo, os salários da engenharia foram baixos o que, aliado à necessidade de investir durante cinco anos em muito estudo, afastou os alunos”, argumenta o coordenador.

Omissão tecnológica

O viés cientificista da educação no Brasil é apontado por Formiga como um dos fatores responsáveis pelo achatamento dos salários de engenheiros. Isso porque os investimentos por parte da indústria em tecnologia seriam escassos. “Estamos mais preocupados com ciência do que com tecnologia. E engenheiros são mais tecnologistas. No, o registro de patentes chega a 400 ou 500 por ano. No mesmo período de análise, a Coréia registrou dez vezes mais patentes do que nós”, compara ele.

Dados da pesquisa Inova Engenharia 2008
Propostas para a modernização da educação em engenharia no Brasil
Engenheiros contratados por porte (número de funcionários)
Descrição
Até 49 50-249 250-499 500 ou mais Total %
Ramos que empregam os primeiros 49,2% do total de engenheiros 21.930 30.267 16.542 60.086 128.825 49,2%
Construção 7.655 6.468 2.291 2.679 19.093 14,8%
Serviços prestados principalmente às empresas 3.909 5.018 2.732 4.929 16.588 12,9%
Administração pública, defesa e seguridade social 176 1.652 1.414 10.365 13.607 10,6%
Eletricidade, gás e água quente 450 1.421 598 5.218 7.687 6,0%
Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias 104 685 740 4.880 6.409 5,0%
Total de Engenheiros
34.224 45.511 24.317
88.157 192.209 49,2%
Ramos que empregam os próximos 26,5% do total de engenheiros
Até 49 50-249 250-499
500 ou mais Total %
Correio e telecomunicações 470 1.267 734 3.412 5.883 4,6%
Fabricação de máquinas e equipamentos 945 1.596 622 1.810 4.973 3,9%
Captação, tratamento e distribuição de água 211 790 555 2.285 3.841 3,0%
Fabricação de outros equipamentos de transporte 44 140 27 3.394 3.605 2,8%
Fabricação de produtos químicos 360 1.327 953 927 3.567 2,8%
Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares 22 170 247 2.840 3.279 2,5%
Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio 1.374 1.031 370 451 3.226 2,5%
Metalurgia básica 100 291 301 2.290 2.982 2,3%
Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais 321 591 791 1.122 2.825 2,2%
Total de Engenheiros
3.847
7.203 4.600
1.122 34.181
26,5%

Fonte: Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) / IEL (Instituto Euvaldo Lodi)

Para essas afirmações, Formiga tomou como base o documento desenvolvido pelo programa Inova Engenharia, que aponta que apenas um terço dos engenheiros permanece no trabalho em sua área de formação. De acordo com o Sumário analítico Mercado de Trabalho para o Engenheiro e Tecnólogo no Brasil, desenvolvido pela CNI, “do total de engenheiros empregados (…) quase metade está concentrada em cinco ramos de atividade, sendo que dois deles estão em áreas não diretamente relacionadas à produção. Um é o ramo de serviços prestados principalmente às empresas (…).O outro é a administração pública, defesa e seguridade social, ou seja órgãos do governo”.

Dentre os fatores que fazem com que engenheiros migrem para outros setores, Formiga aponta os melhores salários. “Nada melhor que o setor financeiro para engenheiros, onde exercem suas capacidades e recebem melhor”, resume. Para ele, embora esse fenômeno mostre o aspecto positivo referente à polivalência desses profissionais, também revela um aspecto preocupante. “Queremos que o setor empregue mais engenheiros em atividades de engenharia. Com competitividade acirrada, não se sobrevive sem inovação e engenharia é fundamental”, diz ele.

O aumento dos salários nas áreas diretamente ligadas à engenharia voltaria a atrair profissionais já formados e alocados em outras áreas e atenuariam o risco de escassez. A possibilidade é apontada no artigo “Escassez de engenheiros: realmente um risco?”. “Temos 750 mil engenheiros formados e usamos como engenheiros apenas 211 mil. Se houver demanda efetiva, os salários sobem e o pessoal para de ir para o outro lado”, atesta Gusso.

Assim, a valorização do engenheiro na indústria passa pela mudança de suas funções principais. Para Carneiro Júnior, muitos profissionais utilizam apenas nível técnico de conhecimento, envolvidos com adaptação de projetos às condições locais. “A indústria tem de participar com recursos e definição de prioridades e aumentar a quantidade de estágios de qualidade, que contribuam para a formação”, afirma o diretor de relações internacionais da Capes. Condição atestada também pelo Sumário analítico da CNI, que indica que “quando se trata do elemento cada vez mais crítico da inovação, os engenheiros são considerados adequados apenas na adaptação da inovação, ficando um pouco abaixo no conhecimento e na implantação e significativamente abaixo na geração de inovação”.

As possibilidades da indústria para contribuir com a formação profissional envolvem o aproveitamento da polivalência do profissional de engenharia citada por Formiga, o que é explorado com a criação de universidades corporativas. “O profissional bem formado é exigido e, por meio da universidade corporativa, forma-se a especificidade. O profissional, quando bem formado se adapta às novas situações”, ressalta o representante da CNI.

Fonte: Universia

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