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A Riqueza Mineral de Goiás Exige Engenharia Valorizada, Fiscalização Forte e Retorno Para o Povo

09/07/2026

Goiás está sentado sobre uma das maiores riquezas minerais do país. Cobre, ouro, fosfato, níquel, calcário, nióbio, bauxita, terras raras e outros minérios movimentam bilhões de reais, atraem grandes empresas e colocam o estado em posição estratégica no debate sobre desenvolvimento, tecnologia, transição energética e soberania nacional. Mas uma pergunta precisa ser feita com coragem: essa riqueza está ficando para o povo goiano ou está sendo retirada do nosso território sem o devido retorno social, ambiental e profissional?

Para o SENGE-GO, mineração não pode ser tratada apenas como negócio. Mineração é tema de engenharia, de meio ambiente, de segurança, de trabalho, de arrecadação pública e de futuro. Onde há mina, barragem, estrada, beneficiamento, transporte, drenagem, licenciamento, recuperação ambiental e controle de risco, há responsabilidade técnica. E onde há responsabilidade técnica, precisa haver engenheiras e engenheiros valorizados, com autonomia, salário digno e condições reais de trabalho.

Segundo levantamento publicado pela revista especializada In The Mine, Goiás conta com 551 minas, 12.146 processos minerários ativos e 1.126 títulos de concessão de lavra. Entre esses processos, 525 tratam de terras raras, requeridos por 65 empresas. Em 2025, a produção mineral goiana alcançou 113 milhões de toneladas brutas e 35,48 milhões de toneladas beneficiadas, com valor comercializado de R$ 12,78 bilhões e recolhimento aproximado de R$ 230 milhões em CFEM, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral.

Esses números mostram a força do setor, mas também revelam o tamanho da responsabilidade pública. Não basta comemorar produção, exportação e arrecadação. É preciso perguntar quem fiscaliza, quem lucra, quem trabalha, quem assume os riscos e o que fica para os municípios impactados. A mineração só pode ser chamada de desenvolvimento quando gera infraestrutura, ciência, tecnologia, emprego qualificado, diversificação econômica, preservação ambiental e melhoria concreta da vida da população.

O referencial que orienta essa discussão é o do desenvolvimento territorial sustentável. Isso significa compreender que os recursos minerais pertencem ao território e afetam diretamente a vida das comunidades. A atividade mineral não pode deixar como herança apenas buracos, rejeitos, poeira, pressão sobre a água, adoecimento, precarização e dependência econômica. A riqueza retirada do subsolo precisa voltar em políticas públicas, saneamento, recuperação ambiental, pesquisa, inovação e fortalecimento dos municípios.

A CFEM existe exatamente porque a exploração mineral utiliza um bem público e produz impacto sobre os territórios. Segundo a Agência Nacional de Mineração, essa compensação é devida aos estados, municípios e órgãos da União pela utilização econômica dos recursos minerais. A legislação prevê que parte dos valores seja aplicada preferencialmente em diversificação econômica, desenvolvimento mineral sustentável e desenvolvimento científico e tecnológico. Portanto, a CFEM não pode ser tratada como caixa comum. Ela precisa financiar futuro.

Em Goiás, esse debate é urgente. Dados atribuídos à ANM indicam que o número de municípios goianos que arrecadaram CFEM passou de 70 para 162 entre 2003 e 2024. No mesmo período, a arrecadação nominal passou de R$ 7 milhões para R$ 182 milhões. Isso significa que cada vez mais cidades goianas estão direta ou indiretamente ligadas à atividade mineral. O impacto não está restrito às minas. Ele alcança estradas, rios, comunidades, trabalhadores, pequenos municípios e serviços públicos.

O Plano Estadual de Recursos Minerais de Goiás, PERM-GO, apresentado pelo Governo de Goiás, aponta a necessidade de planejamento, atração de investimentos, competitividade e sustentabilidade. Mas planejamento sem fiscalização vira discurso. Sustentabilidade sem controle social vira propaganda. Desenvolvimento sem valorização profissional vira exploração. O estado precisa de política mineral séria, transparente e comprometida com a vida, não apenas com o interesse econômico das empresas.

Depois dos crimes socioambientais de Mariana e Brumadinho, o Brasil não pode mais aceitar negligência, improviso ou pressão empresarial sobre decisões técnicas. A Lei 14.066 de 2020 reforçou regras de segurança de barragens, planos de emergência, prevenção e informação às comunidades. Mesmo assim, nenhuma lei se sustenta sozinha. É preciso estrutura pública, fiscalização permanente, equipes técnicas qualificadas e respeito à autonomia dos profissionais que respondem por obras e operações de alto risco.

A engenharia goiana está no centro dessa responsabilidade. Engenheiras e engenheiros de minas, civis, ambientais, químicos, eletricistas, mecânicos, de produção, de materiais, de segurança do trabalho, agrônomos, geólogos e tantos outros profissionais sustentam tecnicamente o funcionamento do setor mineral. São esses profissionais que projetam, calculam, acompanham, fiscalizam, monitoram riscos e assinam responsabilidades. Não é aceitável que carreguem tamanha responsabilidade sem valorização, sem condições adequadas e sem respeito ao salário mínimo profissional.

Para o SENGE-GO, defender a mineração responsável é defender a engenharia, o trabalho digno, o Cerrado, os municípios e a população goiana. O sindicato não se coloca contra o desenvolvimento. Ao contrário, defende um desenvolvimento que não sacrifique vidas, territórios e profissionais em nome do lucro. A mineração precisa estar a serviço de Goiás, e não Goiás a serviço da mineração.

A riqueza mineral do estado deve financiar ciência, tecnologia, educação, infraestrutura, saneamento, recuperação ambiental e diversificação econômica. Deve gerar emprego qualificado, fortalecer a indústria local e garantir participação social nos processos decisórios. O que sai do solo goiano precisa voltar em dignidade para o povo goiano.

O SENGE-GO reafirma que não há mineração segura sem engenharia valorizada. Não há desenvolvimento sustentável sem fiscalização forte. Não há soberania mineral sem controle público, transparência e retorno social. A riqueza de Goiás não pode valer mais que a vida, o Cerrado e os profissionais que assumem a responsabilidade técnica pelo futuro do nosso estado.

 

 

 

Fontes consultadas

Agência Nacional de Mineração, ANM
Informações sobre CFEM, distribuição dos royalties da mineração, arrecadação e regras de compensação financeira.
(Serviços e Informações do Brasil)

Governo de Goiás, Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços
Informações sobre o Plano Estadual de Recursos Minerais, PERM-GO, consulta pública e diretrizes para o setor mineral goiano.
(Portal Goiás)

Agência Senado
Informações sobre a Lei nº 14.066/2020, que alterou a Política Nacional de Segurança de Barragens e reforçou regras de prevenção, fiscalização e responsabilização.
(Legislação Senado)

Revista In The Mine
Reportagem sobre o Plano Mineral de Goiás, dados sobre minas, processos minerários, terras raras, produção mineral, valor comercializado e arrecadação de CFEM no estado.
(Revista In The Mine)

Jornal Opção
Reportagens sobre os principais polos de mineração em Goiás, evolução da arrecadação de CFEM nos municípios goianos e presença estratégica de minerais como nióbio, ouro, cobre, níquel, fosfato e terras raras.
(Jornal Opção)



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