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Infraestrutura exige engenharia: investimentos reforçam debate sobre valorização profissional

09/09/2026

Com um dos maiores ciclos de investimentos em infraestrutura das últimas décadas, SENGE-GO chama atenção para o papel estratégico das engenharias no planejamento, execução e fiscalização das obras que vão transformar o país

O Brasil vive um novo ciclo de investimentos em infraestrutura. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), coordenado pelo Governo Federal, já reúne previsão de R$ 1,9 trilhão em investimentos, distribuídos entre mais de 41 mil empreendimentos em diferentes regiões do país.

São investimentos que alcançam áreas fundamentais para o desenvolvimento nacional, como rodovias, ferrovias, mobilidade urbana, saneamento, habitação, energia, conectividade, prevenção de desastres, saúde e educação.

Para o Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás (SENGE-GO), a retomada e ampliação dos investimentos em infraestrutura representa uma oportunidade importante para o Brasil. Mas o volume de recursos e de obras também coloca uma questão que precisa estar no centro do debate:

qual será o papel da engenharia na construção desse novo ciclo de desenvolvimento?

Não basta investir. É preciso garantir que os investimentos se transformem em obras seguras, eficientes, duráveis e capazes de melhorar efetivamente a vida da população.

E isso passa necessariamente por planejamento, projeto, responsabilidade técnica, fiscalização, execução qualificada e acompanhamento permanente.

Mais investimentos exigem mais engenharia

Grandes obras não começam no canteiro.

Antes da primeira máquina entrar em operação, há estudos de viabilidade, levantamentos, cálculos, projetos, licenciamentos, planejamento territorial, definição de materiais, estimativas de custos e inúmeras decisões técnicas.

Depois, durante a execução, continuam sendo necessários acompanhamento, fiscalização, controle de qualidade, gestão de riscos e responsabilidade técnica.

Por isso, quanto maior for o investimento nacional em infraestrutura, maior também precisa ser a preocupação com a capacidade técnica do Estado, das empresas e das instituições responsáveis por transformar esses recursos em resultados concretos para a população.

A discussão sobre infraestrutura, portanto, não pode ficar restrita ao valor anunciado ou ao número de obras contratadas.

É necessário discutir também quem planeja, quem projeta, quem fiscaliza e quem assume a responsabilidade técnica por aquilo que está sendo construído.

Goiás está diretamente inserido nesse processo

Em Goiás, essa realidade já pode ser percebida em diferentes frentes.

A Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), por exemplo, avança como parte de um corredor ferroviário estratégico para a logística brasileira. Ao mesmo tempo, rodovias federais e estaduais recebem investimentos em duplicação, pavimentação, restauração e melhoria da capacidade viária.

No âmbito estadual, estão previstos bilhões de reais em obras rodoviárias, alcançando mais de mil quilômetros de estradas.

São empreendimentos que podem gerar desenvolvimento econômico, melhorar a mobilidade, reduzir custos logísticos, estimular novas atividades produtivas e conectar regiões.

Mas também representam enorme responsabilidade.

Cada ponte, ferrovia, rodovia, sistema de saneamento, rede elétrica, edifício público ou estrutura urbana construída hoje permanecerá servindo à sociedade durante décadas.

Economizar na engenharia durante o planejamento pode significar multiplicar custos durante a execução — ou transferir problemas para toda a sociedade no futuro.

A engenharia precisa estar à frente desse debate

Para o SENGE-GO, este é também o momento de a própria categoria se posicionar.

O país discute bilhões e trilhões de reais em infraestrutura. É natural, portanto, que engenheiras e engenheiros também discutam as condições necessárias para entregar essa infraestrutura com qualidade.

Isso envolve defender equipes técnicas qualificadas, estruturas públicas capazes de planejar e fiscalizar, formação profissional permanente, inovação, utilização responsável de novas tecnologias e reconhecimento das atribuições e responsabilidades inerentes às diferentes modalidades da engenharia.

Significa também colocar na agenda a valorização profissional.

Não há desenvolvimento tecnológico ou infraestrutura moderna sem pessoas qualificadas.

A engenharia não pode aparecer apenas quando surge um problema, uma obra apresenta falhas ou acontece um acidente. Ela precisa estar presente desde a definição das prioridades e o planejamento dos investimentos.

Valorizar a engenharia é investir preventivamente em qualidade, eficiência e segurança.

Tecnologia deve fortalecer — e não substituir — conhecimento técnico

A transformação tecnológica também torna esse debate ainda mais atual.

Inteligência artificial, automação, BIM, drones, sistemas digitais de monitoramento e análise de grandes volumes de dados estão mudando profundamente a forma de projetar, construir, operar e fiscalizar infraestruturas.

Essas ferramentas representam avanços importantes e devem ser incorporadas à engenharia.

Mas tecnologia não elimina conhecimento técnico nem responsabilidade profissional.

Ao contrário: quanto mais complexos forem os sistemas utilizados, maior será a necessidade de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões, avaliar riscos e responder tecnicamente pelos resultados.

Também não se trata de estabelecer uma disputa entre engenheiros e os demais profissionais que compõem equipes técnicas.

Infraestrutura moderna é construída por equipes multidisciplinares.

O debate necessário é outro: o Brasil pode executar um ciclo dessa dimensão sem assegurar às engenharias o espaço, a estrutura e a valorização compatíveis com sua responsabilidade?

Investimento público também deve deixar conhecimento e capacidade técnica

Um grande ciclo de infraestrutura pode deixar ao país muito mais do que estradas, ferrovias, pontes e edifícios.

Pode deixar conhecimento, tecnologia, capacidade de planejamento, empresas mais qualificadas, universidades fortalecidas e profissionais preparados para novos desafios.

Para isso, a engenharia precisa ser compreendida como área estratégica de desenvolvimento nacional.

É necessário pensar não apenas na obra que será entregue amanhã, mas na capacidade técnica que o Brasil estará construindo para as próximas décadas.

Para o SENGE-GO, esse é um debate que deve envolver profissionais, universidades, entidades de classe, governos, empresas e sociedade.

O Sindicato quer contribuir para que o atual ciclo de investimentos resulte em infraestrutura de qualidade, desenvolvimento regional e melhoria concreta da vida das pessoas — e também em um novo patamar de reconhecimento para quem possui a responsabilidade de transformar planejamento em realidade.

O Brasil está ampliando seus investimentos em infraestrutura. Agora precisamos discutir como garantir que a engenharia esteja à altura desse desafio — e seja valorizada na mesma dimensão da responsabilidade que assume.

O SENGE-GO convida engenheiras, engenheiros e toda a sociedade a participar dessa discussão.

Para você, é possível construir a infraestrutura que o Brasil precisa sem colocar a engenharia no centro do planejamento, da execução e da fiscalização?



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